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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Os Minions

Todo mundo, ou, pelo menos, boa parte dele, já deve conhecer quem são eles, os Minions. Se você não conhece, aqui vai uma palhinha:




Essas criaturinhas amarelas surgiram no filme “Meu Malvado Favorito” em 2010. Já tiveram seu próprio filme, apareceram no Malvado 2, e novamente em 2017 eles invadiram os cinemas na terceira parte da história de Gru, um vilão que tem um coração de manteiga.

Se você é jogador do game “League of Legends”, o popular LoL, você também deve conhecer os minions do jogo.


Pois bem, não quero que você comece a gostar dos bichinhos amarelos, nem passe a ser um viciado em LoL. Mas esses dois personagens foram as metáforas, ou analogias que encontrei (na verdade, a internet toda usa esse termo), para tentar entender os “BolsoMinions”. Sim, meus amigos leitores! Eles estão por toda parte! Onde exista um espaço para comentários, seja no Facebook, Twitter, no UOL, site da Folha de São Paulo, onde você mencionar o nome de Jair Bolsonaro, eles estarão lá para defender seu “mito”.

Entendam, eu sei que “macaca de auditório”, ou seja, maluco pra bater palma pra político de estimação, sempre houve. Lembro muito bem dos meus primos e de boa parte da minha família, quando todos viviam com os olhinhos brilhando com o surgimento do PT e da figura do Lula. Todo mundo tinha um broche com a estrelinha do PT.

Como eu não voto em ninguém, nem apareço na urna de votação, nem na zona eleitoral, posso dizer que não tenho telhado de vidro. Logo, nesse momento quero ser pedra.

Como dizia, as pessoas sempre terão seus políticos de estimação, apesar de isso ser lastimável, entendo que todo mundo “precisa” de um “grande líder”. O que me preocupa é que as pessoas passaram a perder amizades por causa de seus políticos de estimação. Neste fim de semana, publiquei este vídeo na minha página pessoal do Facebook:


O resultado foi um monte de gente com ojeriza pelo vídeo, óbvio; e um indivíduo que arrumou um bocado de treta comigo e todos os meus amigos que resolviam comentar na postagem. Ele xingou alguns, ofendeu outros. Enquanto ele se dirigiu somente a mim, o respondi da maneira correta que se deve responder um eleitor do Bolsonaro: educadamente e com argumentos. Caso contrário, e é essa característica que quero apontar nesse texto, eles partem para o insulto, checam o perfil, julgam as fotos das pessoas e procuram o que julgam ser falhas de caráter na pessoa que pretendem ofender. Como se falar mal do Bolsonaro fosse falar mal da própria mãe dessas pessoas.

Na minha opinião, Bolsonaro representa um pacote imenso de coisas retrógradas e cheias de ódio. Aquele tipo de coisas que você guarda bem escondido na sua casa para as pessoas não saberem que você as tem. Mas, o problema das redes sociais e da inclusão digital, é que agora, como diria Umberto Eco, “Redes sociais deram voz a legião de imbecis”. Não que as pessoas não possam se expressar. Mas a rede está infestada dos comentários mais maldosos, preconceituosos, racistas e por aí vai.

Nesse contexto, o “BolsoMinion” faz, justamente, o papel tanto que os Minions amarelinhos do cinema fazem, quantos os Minions do League of Legends: eles tomam porrada! Eles se sacrificam pelos seus “chefes”, pelos seus “campeões”. Os minions são hordas contantes que mais atrapalham que ajudam, mas cumprem bem o seu papel, impedir que todos os golpes cheguem certeiros ao seu líder.

De qualquer forma, reitero: existem os “BolsoMinions”, mas também existem os “LulaMinions”, os “Dilminions”, os “CiroMinions”, e por aí vai. E o que me preocupa é justamente essa legião de pessoas dispostas a brigar, discutir, acabar com amizades e insultar desconhecidos por causa de políticos profissionais. Num mundo ideal, onde cobrássemos dos políticos suas promessas de campanha, ter um político de estimação até faria algum sentido. E se cobrássemos dos políticos como cobramos a entrega da pizza? No Brasil, onde esses desgraçados nem se dignificam a responder um e-mail? Não… desculpem-me, eu não trato nenhum deles bem.

E há quem diga que não devemos nos preocupar tanto com Jair Bolsonaro. Que ele não passa de um fenômeno das redes sociais. Também disseram que Dolnald Trump era uma piada e que ele jamais seria presidente dos Estados Unidos da América…

Inté!










terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Uma viagem pelo Google Trends

Mais um ano está indo embora. mais um ciclo está acabando. E pra variar, essa é a época em que muitas pessoas reavaliam comportamentos, atitudes, pensamentos, pensando em se dar uma nova chance ou uma nova forma para suas vidas no próximo ano que se iniciará. Pena que essa tomada de atitude só dure até o dia 4 ou 5 de janeiro. Depois tudo volta à tona do mesmo jeito.

No meu caso, não que eu me ache superior a ninguém. Pelo contrário, eu sou um grandessíssimo idiota, que tem a mania de tentar entender a realidade em que vive. Como "produtor de conteúdos para internet" - afinal, quem acompanha esta bosta de blog, tem acesso às minhas "conclusões" sobre as  coisas que eu penso e vivo. Eu preciso pesquisar para tentar escrever razoavelmente bem. E uma ferramenta ótima para isso é o Google Trends. Gratuitamente você pode saber o que a internet quer saber, o que o povo tá pesquisando.
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Pois bem, justamente nesse momento em que todos buscam novas perspectivas, é o momento onde eu olho para o que se fez no último ano. E meus amigos, o que encontrei foi algo muito doido pra minha cabeça. Sim pra minha cabeça, para a maioria das pessoas pode ser algo totalmente comum. Mas perceber e conhecer os interesses das pessoas, o que elas pesquisam na internet, é algo que faz você perguntar quem são essas pessoas que podem estar ao seu lado.

Pra vocês terem uma ideia, dos cinco filmes mais pesquisados no Google, no Brasil, eu não vi nenhum. Se expandir para os 10 mais vistos, eu só vi "A Cabana". Interessante nessa questão é, se você deixar a pesquisa no modo "Global", ou seja, os 5 filmes mais vistos e pesquisados no mundo todo, dá quase a mesma coisa. Ou seja, posso concluir o que sempre disse: o cinema que existe atualmente, é um negócio que tem que dar resultado globalmente. Os produtores não podem mais se dar ao luxo de investir em filmes menores, mas com uma ótima história e sem milhões de efeitos especiais. Eles fazem poucos filmes, mas que rendem cachoeiras e rios de dinheiro de uma única vez. Logo, os filmes de super heróis estarão em alta ainda por um bom tempo.

Quando o quesito é sobre as pesquisas sobre programas de TV, o negócio é muito sério, de acordo com o meu entendimento. As pesquisas sobre o Big Brother Brasil são tão grandes, que elas aparecem até na pesquisa Global. No Brasil, fica em primeiro lugar, no mundo, fica em terceiro. Se você acha que aquele seu post no Facebook, falando mal da Rede Globo e de como o BBB é um programa inútil e que deveria ser retirado do ar, vai chegar a tantos compartilhamentos que a direção da emissora considerará sua opinião, esqueça. TV e programas de TV são produtos comerciais, que geram e rendem muito dinheiro para todos os envolvidos. Se eu consigo ter acesso ao que o pessoal se interessa no BBB, o cara da Globo também tem e as pesquisas relacionadas ao programa dão um bom indicativo de que o que eles estão fazendo está sendo assistido por muita gente.

Agora... quando o quesito é música... bicho, vou deixar pra falar sobre isso num podcast que ainda vou lançar essa semana. Mas o fato é: 

1 - Despacito
2 - Deu onda
3 - Trem-Bala
4 - Paradinha
5 - Vai Embrazando

Essas são as músicas mais procuradas em 2017. Só com isso, eu já confirmo um monte de coisas que penso sobre a música nacional e que um bando de puristas virjões acham que vão conseguir mudar. Não vão. A música popular está sendo comercializada de a cordo com o público, de forma que, na minha opinião, "Vai Embrazando" é só uma peça publicitária de uma marca de Catuaba.

Fora as perguntas sobre os "Por quês" de um monte de coisas. Chega a ser engraçado. Mas, mais uma vez, o Big Brother Brasil entra nos tópicos. A quinta pergunta mais feita ao Google foi "Por que Pedro Bial saiu do Big Brother?". E a Rede Globo impera na vida das pessoas de tal forma, que você, se queria ter alguma ilusão de mudar alguma coisa em relação à ela, pode esquecer. Os outros "Por quês" são sobre a saída do Evaristo Costa do Jornal Hoje, a saída da Cláudia Leitte do "The Voice" e por que o Zeca, personagem de uma novela, foi preso. 

Pra terminar, uma coisa curiosa: Amazonas e Acre aparecem como os líderes em muitas dessas pesquisas. Ou seja, boa parte dos números dessas pesquisas no Google, vem dessas regiões. Em alguns casos, Rio de Janeiro e São Paulo, aparecem como últimos colocados. dando a entender que, ao contrário do que alguns dizem, o Amazonas não é feito só de índios e o Acre não é cheio de dinossauros.

Aguardem o PodCast que lançarei ainda essa semana.

Inté!

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

A Bunda da Anitta e a Paumolecência Nacional

Antes de começar este texto preste atenção na figura abaixo:


Você já deve tê-la visto. Você e mais 16 milhões de pessoas. Se você ainda não viu, saiba que está é, aparentemente, a bunda da  cantora Anitta. É mostrando sua "buzanfa" que ela inicia o clipe da música "Vai malandra", que foi postada ontem 18/12/2017, e já alcançou os notáveis 16 milhões de visualizações, só no YouTube.

Logo abaixo, você lê um tuíte do cantor Lulu Santos que, aparentemente, estaria criticando o clipe da música da Anitta:
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Horas depois, com a internet toda enchendo seu saco e dizendo cobras e lagartos, Lulu postou o seguinte:

Como disse, muita gente foi falar coisas escabrosas para o cara. Ele revidou, claro. Não é bobo, sabe que burburinho falando de alguém, seja pra bem ou pra mal, é bom para ambas as partes. No entanto, para mim, o ponto é outro, o buraco fica mais embaixo.

Pra começo de conversa, eu sempre digo que não existe música ruim, existe a música que você gosta e a música que você não gosta. Qualquer coisa além disso é juízo de valor. E isso é uma puta perda de tempo. Principalmente porque acredito piamente no que diz o bom e velho Raulzito:


Partindo desse princípio, eu, que não gosto das músicas da Anitta, não entro em nenhum serviço de Streaming, no YouTube, ou rádio, seja lá o que for, para ouvir o que ela canta. Hoje, mais do que nunca, temos muita liberdade e opções para escolhermos aquilo que nos agrada ouvir para dançar, refletir, etc.

Porém, o problema central vem de um negócio que o cantor Lobão chama de "Paumolecência". Ele atribui o início desse fenômeno a toda essa corja dessa famigerada MPB:


Mas ultimamente, ele vem sendo tratado por louco, principalmente porque enveredou numa luta política que, no Brasil, dá no saco. Com isso, seus discursos são sempre meio delirantes. Só que ele faz isso há muito tempo. Ele já bateu no Caetano Veloso, no Gilberto Gil, no Chico Buarque, gente que está, ainda nos dias de hoje, definindo o que é e o que não é música brasileira. Pesquise sobre isso, e você vai entrar em contato com algo repugnante.

Na minha opinião, Lulu Santos perdeu uma excelente oportunidade de dizer um monte de coisas que um monte de gente pensa. Mas se escondeu atrás da máscara do bom moço que é amigo de todo mundo e que coloca panos quentes para evitar confusão. E não esperaria outra coisa dele. Historicamente, Lulu não arruma briga com ninguém. E esse é o problema da "Paumolecência".

A última confusão que eu vi na música, (podem haver outras de pois dessa, mas não me lembro no momento), foi essa aqui. Os caras discutiam porque não se gostavam. Cada um tinha opinião, um sobre o outro. Até que um dia deu merda!
Por que todo mundo mantém essa pose de bom moço? De amigo de todo mundo? Eu sei, eu sei, isso faz parte do negócio. Ninguém quer perder nenhuma fatiazinha que seja do mercado que está povoado de gente que não quer perder nenhuma fatiazinha. E mais: hoje tem 50, 100 artistas disputando uma mísera fatiazinha.

A carreira de músico no Brasil deve ser um negócio de doido: a pirataria que não deixa mais os caras ganharem uma merreca com venda de CD´s, a meia entrada que "encarece" o preço do ingresso e o surgimento, como se fossem capim, de artistas que cantam e tocam qualquer besteira para fazer o povo se divertir. E talvez, o problema seja exatamente esse. 

A grande maioria das músicas que fazem sucesso entre a rapaziada, é direcionada para o romantismo, para a curtição em uma balada e sobre a quantidade quase infinita do que se pode beber numa balada onde, quem sabe, você pode arrumar o amor da sua vida. Música de contestação? Elas existem, mas ninguém tá procurando ouvir, ou pelo menos, ela não está tocando nas grandes rádios. isso sem falar do Pop Rock do qual Lulu Santos é signatário. Hoje em dia, não conheço artista equivalente a Lulu Santos. E quando digo que desconheço é porque, como eu disse, escolho o que quero ouvir, e a música dele não consta nas minhas playlists.

A suposta crítica de Lulu à música da Anitta, foi interpretada como uma crítica à música funk. E essa é uma nova característica dos tempos atuais: se você critica alguém o a atividade de alguém, ou a produção de alguém, você está, automaticamente, criticando uma minoria, um setor da sociedade discriminado, ou está sendo puramente preconceituoso. Vide o caso do(a)(x) Cantor(a)(x) Pablo Vittar. Quem diz que a música dele(a)(x) é ruim, é porque é homofóbico. 

Minhas duas observações sobre este episódio são:
1 - Lulu Santos perdeu uma ótima oportunidade de dizer realmente o que pensa sobre a atual fase da música brasileira;
2 - A tal "fase anal" não começou agora e está longe de terminar.

Inté!

terça-feira, 18 de julho de 2017

SOBRE O QUE SE QUER SER

Esse texto pode parecer e ficar meio clichê. Mas a vida é cheia deles, é feita deles.

Recentemente, minha mulher passou a assistir no YouTube a todas as temporadas do MasterChef Brasil. Atualmente ela está na segunda de quatro temporadas. Num dos episódios, após a saída de mais um participante, ele se emociona e chora porque estava deixando pra trás tudo o que envolve a "cozinha", ou a gastronomia, e que seu dia a dia é corrido demais para ele e que sentiria muita falta do que viveu no programa.


Em geral, basta você ler abaixo do nome que aparece na tela, a profissão de cada candidato. No MasterChef concorrem amadores, amantes da culinária, não necessariamente profissionais. Eles tem uma competição específica pra eles. Esses cozinheiros amadores, em sua grande maioria, ou aqueles que dizem abertamente, sonham em mudar de vida a partir da participação deles no programa. E é sobre isso que quero falar hoje.


Minha geração, a "Geração X", foi criada para ter sucesso e ganhar dinheiro. Acredito que todas as outras que me antecederam devam ter tido esse tipo de impulso. E as demais que me sucederão, também vão escutar que é preciso fazer isso ou aquilo para ter sucesso; que precisam ter essa ou aquela profissão para terem dinheiro. E a equação, em geral, não bate. Atualmente, o que mais se vê são pessoas frustradas e cansadas por correr atrás de algo que elas nunca alcançarão porque, na minha opinião, não se alcança essa coisas através de um trabalho que não se gosta.




Eu sou professor. Escolhi ser professor. Como muitos devem saber, não é lá uma profissão recompensadora no sentido financeiro. Mas então, por quê alguém escolhe ter uma profissão que não vai lhe dar o dinheiro tão almejado? Eu poderia estar até hoje, trabalhando num escritório de contabilidade, pois achei que a contabilidade me daria os recursos financeiros que almejava. Mas a repetição de cada dia, de cada rotina, de cada exercício contábil, não me faziam querer mais nada. Somente voltar para casa e dormir era o que eu desejava.


Foi quando eu decidi estudar aquilo que eu sempre gostei de estudar: História. E já no segundo período fui chamado para dar aulas em uma escola. Mas isso é uma outra história.


Quando meu pai ficou sabendo que eu seria professor, disse que eu "iria passar fome o resto da minha vida". O sonho do meu pai era que eu me tornasse o militar que ele jamais conseguiu ser. Hoje eu tenho minha casa própria, ele não.


Fica a pergunta: por que as pessoas demoram tanto para perceber que vivem uma vida infeliz em seus empregos e trabalhos? Por que não descobrem aquilo que querem fazer porque gostam de fazer? Por que insistem em correr em busca de algo que não virá? E se vir, não vai durar o tempo que imaginam que durará.


Antes de efetivamente ser professor, eu lavei pratos e banheiros de restaurante. Fui auxiliar de pedreiro. Vendedor. Office Boy. E uma série de coisas que não são lá muito interessantes. Tenho um ex-aluno que dei aula há 10 anos. Na época em que dei aula para ele, ele já trabalhava como entregador de pizza. Há dez anos ele trabalha na mesma pizzaria e continua entregando minhas pizzas. Por que ele não mudou de vida? Por que ele não procurou melhorar as condições de trabalho dele? São coisas que me pergunto. 


Mesmo tendo feito coisas das quais não gostava, entendi em algum momento, que essas eram coisas que eu precisava realizar para chegar no ponto onde estou hoje. Não penso em fazer outra coisa que não seja lecionar. Mas também não estou "fechado" permanentemente para outras oportunidades de trabalho. Mas enquanto eu for feliz dando aulas, e recebendo o pouco que recebo por elas, não penso em mudar minha carreira. E se em algum momento quiser ou tiver que mudar, quero que seja algo que eu goste de fazer, que me traga alegria, que sua execução não seja apenas algo mecânico e rotineiro. Imagine passar o resto da vida sem ter feito o que gostaria de fazer?

Dificuldades sempre existirão na vida de qualquer um. O que define cada ser humano é o que faz para superar tais dificuldades. É preciso ter certos empregos e funções em momentos em que não é possível escolher. Mas não se deve tirar de vista aquilo que se quer, aquilo que se ama.
O mundo está cheio de advogados, engenheiros, médicos, e tantas outras profissões que "dão dinheiro". O mundo precisa de mais pintores, cantores, músicos, dançarinos,  e gente que faça de coração aquilo que ama.

Inté!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O mundo se desfaz

Já tem um certo tempo que minhas postagens aqui no blog tem se relacionado a um único tema: envelhecer.


De certa forma, toda a minha produção ao longo dos anos (lembrando que esse blog e meu casamento são as coisas mais duradouras da minha vida! Ambos tem dez anos!), foi uma maneira de mostrar como eu via as coisas, primeiro a música, depois o cinema e agora todo o resto que chamam de realidade.

Logo, não posso dizer que não tentei fazer alguma coisa. Coisa essa, aliás, que todo humano tenta na face da terra: ser reconhecido por sua produção, ou produzir alguma coisa pela qual seja reconhecido. O que no fim dá no mesmo.


Mas a pauta de hoje, para mim, é perceber o quanto meu mundo está se desfazendo. Cada dia, a cada notícia que leio, cada personagem que ganhou certo protagonismo na minha vida e que morre, me aumenta a sensação de ver as coisas nas quais sustentei e baseei minha personalidade se desfazendo como pó.


Passei a me dar conta disso no dia em que o Jon Lord, tecladista do Deep Purple, morreu em 2012. Minha mulher – coitada – veio me contar de maneira desavisada que alguém do Deep Purple havia falecido, mas ela não sabia quem era. Quando fui buscar as notícias e vi que era o sujeito que me mostrou como o teclado pode ser coadjuvante e protagonista numa mesma música, e dali pra frente me interessei em tocar teclado também.




A partir dali, cada vez que percebo, estou vendo outro pedaço do meu mundo ir embora. Recentemente, perdi dois amigos que sempre foram minhas fontes e referências sobre música. No velório de um deles, meu irmão, de olhos cheios de lágrimas, vaticinou: “Envelhecer é perder amigos...”. E fiquei com essa frase reverberando na cabeça desde então.


Dia desses, vi uma reportagem sobre a Hebe Camargo. Ao final desta reportagem, lá estava eu aos prantos. Não por causa da saudade que eu sentia da Hebe. Mas do fato de minha vó gostar dela e toda segunda-feira, não importava o que eu quisesse ver, mas nada atrapalhava a vontade da minha vó assistir à Hebe.

Mais grave que só perder referenciais em pessoas, considero estar perdendo minha maneira de ser e estar no mundo. 

Nos últimos anos, certos assuntos que não eram discutidos, que não eram tabus, que não tinham relevância – apesar de merecerem ter – passaram a ser debatidos com mais vigor e constância. Isso não seria um problema se a quebra de certos paradigmas envolvendo esses assuntos não envolvessem a violência de certos discursos e tomadas de posição. Por exemplo: a questão feminista. Eu nem vou encostar meu dedão do pé para dizer alguma coisa sobre esse assunto. Concordo que é de extrema relevância e necessidade; mas daí eu, que nunca me comportei como o escroto que maltrata mulheres, ser malvisto porque sou homem, branco e heterossexual, as coisas vão muito mal.

No campo da sexualidade, também acredito que demos um salto gigantesco, uma vez que a transsexualidade já foi tratada numa série dentro do Fantástico. Mas agora, o que vejo é uma barreira gigante toda vez que eu, que fui criado dentro de um certo molde, onde todo amigo que demonstrava um comportamento culturalmente menos masculino, era chamado de “viadinho”; isso agora é tratado com o status de crime. Eu seri que não é o certo, mas é preciso entender que grandes mudanças internas não se dão da noite para o dia. E eu, mesmo errado, não posso ter todo e qualquer comportamento meu justificado para não ser condenado por uma patrulha que não perdoa quem ainda não se habituou de todo a um novo mundo que lhe surge.




Em outros tempos, daríamos a esse estranhamento que relato, o nome de “choque de gerações”. Isso seria ótimo. Mas não é o meu problema. Sou professor. Lido com a juventude e suas mudanças todo dia.

Meu choque se dá por não conseguir mais entender onde estou vivendo, o que estou fazendo, se o que estou dizendo está certo ou não. E esse choque fica pior quando seus referenciais são perdidos. A despeito da educação machista que eu tive, nunca tratei mal pessoas de sexualidade diferente da minha. A despeito de ter crescido num ambiente familiar que tinha pensamento e posicionamento de esquerda (e não vou nem tentar explicar o que é isso), eu cresci, estudei e tive que começar a pagar contas. Coisas que me fizeram repensar certas atitudes e pensamentos e não ser e pensar determinadas coisas que antes eu julgava serem naturais.

Sendo assim, sigo solitário. Sigo pensando que aos poucos eu vou ficando maluco. Pois, cada vez menos tenho interlocutores. E o que é pior: ironia das ironias, ninguém discorda de mim! Estou certo, mas não tenho mais espaço no mundo das coisas que aí está.

Inté!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Para meu amigo Mário

Para começo de conversa, se este texto lhe parecer confessional ou piegas demais, largue-o assim que sentir isso.

Estou escrevendo essa história para fazer saber quantos queiram saber, e tentar, de alguma forma, exorcizar um pequeno fantasma que existe em mim.

Este texto é sobre uma pessoa morta. Mas que continua muito viva. Ela não era imortal. Mas eterna. O que são duas coisas diferentes.

O ano é 1995. Eu tinha 16 anos de vida e estava prestes a me formar no Ensino Médio. Normalmente, turmas de formandos fazem festas e diversas outras atividades para angariar fundos para sua formatura. No nosso caso, naquele ano, tínhamos uma barraca de comidas típicas de festa junina numa festa que ocorria na rodoviária da cidade. Naqueles tempos, nos anos 90, essas festas – que em alguns lugares são chamadas de quermesses, enchiam porque não acontecia muita coisa na cidade pequena. No caso, a cidade é Nilópolis, no Rio de Janeiro.

Na barraca da turma, deveria haver um rodízio, uma escala de pessoas que seriam responsáveis pela barraca, pelas comidas, pelas bebidas e pelo dinheiro. Se hoje em dia isso já é muita responsabilidade para mim, imagine com 16 anos. Mas o destino quis que eu fosse um dos primeiros na escala. Assim, antes que a festa enchesse e o movimento aumentasse eu estaria livre da responsabilidade. Mas nem todo mundo cumpre com suas tarefas e quis o destino que a pessoa que me renderia se atrasasse. E acabei ficando na barraca e vendo o movimento aumentar. De maneira que duas pessoas que ficassem na barraca não poderiam atender muito bem o público.

Assim que as próximas pessoas chegaram, 15 ou 20 minutos antes do seu horário, eu e a outra pessoa que estava comigo, saltamos daquele barco sem se importar muito com quem estivesse chegando ainda sem entender como era o funcionamento da barraca.

Pois bem, aqui começa a história que eu quero contar.

No momento em que consegui me livrar daquela tarefa chata, no palco da festa começava a passagem de som da primeira banda que “alegraria” a noite da rapaziada. Quem já teve o desprazer de estar numa passagem de som, principalmente quando o público está presente, sabe o tédio que é. Aquele festival de “alô som”, “S, S, Som”, “1, 2, 3, testando”, “S, S, Som!” é um porre! Enquanto essa pasmaceira rolava, notei um sujeito careca e de óculos redondos à la John Lennon. Ele instruía uma baterista nervosa e ansiosa, que deveria estar tocando para o seu primeiro grande público. Deu tempo de eu pegar uma pegar bebida e quando sorveria o primeiro gole, saiu dos autofalantes os primeiros acordes de uma grande mudança na minha vida: a música “In Bloom” do Nirvana.

Imediatamente eu fiquei mesmerizado. Até então, eu só conhecia dois ou três caboclos que conheciam Nirvana. Eu já era o “roqueiro maluco” da minha área. E jamais imaginei que numa quermesse alguém poderia tocar a música que me fez prestar atenção no Nirvana.

Eu não me lembro mais nada daquela noite. Mas guardei bem a cara do sujeito que tocava e cantava. Numa cidade de 9 km quadrados, você sempre esbarra com alguém que você já viu antes.

Onze anos se passaram.

Eu já estava formado e comecei a dar aulas num colégio público em Nilópolis. Certo dia, no turno da noite, ao entrar na sala dos professores, - lugar pouco frequentado por mim, encontrei aquele sujeito que tocou na rodoviária. Não podia acreditar. De certa forma, ele era quase um herói da minha juventude. Obviamente, eu não falei com ele de imediato. Eu sou tímido e tenho Horror de gente “paga pau”.

Alguns meses se passaram até que eu tivesse coragem de me apresentar. Quando esse dia chegou, eu conheci um dos caras mais fantásticos, inteligente e engraçados que a vida já colocou no meu caminho. Seu nome: Mário.

Contei a ele a história acima narrada. Ele com uma voz tranquila disse que nunca tinha conhecido ninguém que estivesse naquele show. Em 1995, ninguém conhecia a banda New Wave Hookers (Dê um Google, dá para achar coisas deles por aí). Em 2006, eles eram cult no underground carioca.

Também lhe disse que era músico e que estava descontente com os rumos que a banda que eu tinha estava tomando. De imediato ele falou “então vamos tocar só nós dois! Tô a fim de fazer umas coisas diferentes e suas ideias vem bem a calhar!”.

Daquele momento em diante, fizemos um duo musical que ele chamava de Peixe Solúvel. Minhas tardes e noites de sábado eram na casa dele. Criando música. Éramos dois guitarristas. Mas a criatividade do Mário era algo que não conheci em muitos músicos. Rodávamos samplers de bateria e outras coisas, em laptops que tinham 516 megabytes de memória. Ficávamos os dois compondo, ao vivo, cada ideia que nos vinha à mente. Para mim, o jogo era fácil: Mário tinha muito mais background que eu. Muito mais letras e músicas compostas que eu. Ele foi o único cara que conheci e toquei, que digo que escrevia melhor que eu. Muito melhor.

Eu tinha muitas ideias. Ele também. Eu queria, de todo coração, fazer de tudo para que aquilo que tocávamos, muitas músicas dele, algumas minhas, chegasse ao maior número de ouvidos. Mas nós éramos de gerações diferentes. Ele era 7 anos mais velho que eu. Ele gostava de fazer as coisas com calma. Como um ourives ou joalheiro, que sabe desbastar e polir cada peça em que trabalha. Queria deixar cada música do seu jeito. Tanto que inúmeras músicas, tem inúmeras versões, uma para cada formação de banda com quem ele tocou. Um dia, eu me enchi de fazer as coisas no tempo dele. Também me mudei de cidade e passamos a nos ver menos. Mas sempre nos falávamos. Sempre. Isso sempre foi algo bom na nossa relação: eu nunca consegui ficar chateado com ele.

Entre idas e vindas, toquei com ele até 2010. Mais precisamente 11 de setembro de 2010. Mário carinhosamente me chamava de “pedreiro do rock”. Por muitos anos, antes de ter um pedal board, carreguei os pedais da guitarra dentro de caixas de ferramentas. Para ensaiar em estúdio, ele carregava uma porrada de coisas. Nesse dia, fizemos um ensaio com três guitarristas. Cada um se revesando no contrabaixo. Ele estava feliz. Eu mais ainda. Depois de muito tempo sem tocar juntos, a afinação e o timming entre nós não havia mudado e continuávamos sinérgicos.

Voltei pra casa feliz. Muito feliz. Minha mulher nunca havia apoiado tanto uma banda minha, quanto apoiava o que eu fazia com o Mário.

Uma semana se passou e não consegui ligar para ele, para marcarmos o próximo ensaio.

Outra semana. Mais uma. Um Mês. Dois.

Telefone chamava e ele não atendia. Mensagens e recados no Facebook. E nada.

O tempo foi passando sem eu entender o que havia se passado para ele nunca mais ter entrado em contato comigo.

Precisamente no dia 6 de março de 2011, deixei um último recado no Facebook dele. Na esperança de ter uma resposta. Só obtive uma resposta no dia 12 de maio daquele ano, data de aniversário dele. Mas não foi o Mário que me respondeu, mas um sujeito chamado Rodrigo Sabatinelli. Me mandou uma mensagem me informando que Mário havia morrido.

A primeira reação foi ficar gritando “O que? O que? O que?”. Minha mulher que estava se preparando para ir trabalhar, ficou atônita me perguntando o que havia ocorrido e eu só ficava repetindo “como assim? Como assim?”.

Ele me contou que Mário havia morrido no ano passado. De um mal súbito. Aparentemente, comendo um sanduíche em casa, assistindo a um filme com a namorada. Ele nunca foi atleta. Não bebia. Não fumava. Tinha uma vida frugal. Não tinha hábitos perigosos como os meus. Não andava de moto, por exemplo. Mário se arriscava muito pouco.

Na época eu não sabia mexer no Facebook como sei hoje, nem o Facebook tinha os recursos que tem hoje. Assim, ao longo dos anos fui descobrindo que ele morreu exatamente no sábado seguinte ao nosso último ensaio. Naquele dia, não quis ensaiar: estava com preguiça. Ficou em casa. Enquanto via um filme, ao lado da namorada, teve um ataque do coração e não chegou vivo ao hospital.

Durante muito tempo sofri. Sofria em pensar o quanto o mundo perdeu em não conhecer o que o Mário escrevia e tocava. Poucas pessoas tiveram acesso à sua produção. Mas muita gente conheceu quem ele era. Hoje em dia, sofro menos. A gente vai aprendendo a acalmar o coração e sentir menos saudades. Mas minha playlist no celular, tem algumas das músicas que mais me tocavam. Várias letras são compostas de ironias torpes sobre ele mesmo. Quem o conheceu sabia do seu humor negro involuntário, de inteligência extraordinária.

Hoje chegou o dia em que eu gostaria de fazer a homenagem que nunca fiz. Mas também botar pra fora o que sempre senti.

Na internet, existem poucas coisas do que ele fez. Aqui, são algumas coisas que fizemos e que ele fez com outras pessoas. A faixa 3 é muito doída pra mim. Preste atenção na letra.

Mas esse post merece terminar com a música que eu demorei certo tempo para entender todas as motivações dela. Hoje entendo.

Obrigado Mário.



quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Viva à Mediocridade (Parte 1)


Todo mundo. Eu, você, qualquer um. Todos já tivemos oportunidade de sermos medíocres. Todos nós já fomos medíocres durante um bom tempo da nossa vida. É uma mancha que todos carregamos. São duas as coisas que diferem humanos de idiotas: 1) A capacidade de reconhecer-se medíocre em algum momento da vida; 2) A capacidade de deixar de ser medíocre.

Mediocridade
 substantivo feminino

1. qualidade, estado ou condição do que é medíocre; mediocrismo.
2. situação, posição mediana, entre a opulência e a pobreza; modéstia.
3. pej. insuficiência de qualidade, valor, mérito; pobreza, banalidade, pequenez
4.p.us. justa medida; moderação.
5.p.met. pessoa ou conjunto de pessoas sem talento, medíocres; mediocreira.

Penso que poderia despender horas e diversos textos por aqui para falar sobre esse assunto, afinal, estamos cercados de pessoas medíocres. E muitas delas, ou não sabem que o são, ou não estão nem aí para tal condição.

Você pode me perguntar: “Por que você se preocupa com pessoas medíocres?”. A expressão exata não é me preocupar, talvez o verbo a ser utilizado seja “temer”, (nenhuma piada com o atual presidente do Brasil). Eu temo que os medíocres tomem conta do mundo. Sim! Eles podem! Exatamente porque alguém disse à eles que podem fazer isso.

Quando observamos o quinto significado atribuído à mediocridade, “pessoa ou conjunto de pessoas sem talento”, já dou a pista do que quero dizer. Pessoas sem talento ganham, a cada dia, mais espaço em diversos setores da sociedade. Não importa onde, eles estão lá. São professores (e o magistério está cheio deles), advogados, políticos, músicos, artistas, e a lista poderia não ter fim. 

Mas, ao contrário do que você possa estar imaginando, o medíocre é um sujeito, em geral, competente. Em alguns casos, até demais. O medíocre sabe o que tem de fazer, e o faz. Em alguns casos, ele treinou a vida inteira para fazer o que faz, por isso é tão bom naquilo que executa. E, entenda, isso não é um problema, muito pelo contrário; o mundo só continua girando porque existem medíocres fazendo seu trabalho/tarefa da maneira correta. Medíocre.

O caldo começa a engrossar quando percebemos que o mundo não é, não foi, nem nunca será mudado pelas mãos de uma pessoa medíocre. 

São os espíritos livres, que não se conformam com esse ou aquele estado de coisas, que fazem as coisas andarem em outras direções, em outras velocidades, de outra forma. Pessoas criativas, é uma alcunha muito simples para denominar quem pode e vai além daquilo que está planejado, agendado, organizado. Se existem mais de sete bilhões de seres diferentes ao redor do mundo, por que as coisas deveriam ser padronizadas e organizadas dessa ou daquela forma? O medíocre gosta da forma, seja ela qual for, pois ele consegue acomodar-se dentro dela. Jamais fora. Ele entende que a forma, o limite, a regra, são necessários, pois sem eles, tudo se torna caos. E como alguém pode viver em meio ao caos? Como conseguir encontrar sentido quando tudo e todos andam, cada um, à sua maneira, em qualquer direção? Resposta? O medíocre tolhe, vulgariza, ridiculariza e deturpa tudo e todos que não estão dentro de uma forma. E como medíocres existem em maior número (sabe-se lá porquê), o mundo, aos poucos, adapta-se ao seu gosto, à sua visão de mundo, à sua pouca clareza de raciocínio, aos seus limites.

Eu posso, poderia, citar diversos eventos e indivíduos que corroboram a minha visão. Mas, nesse momento quero que você faça alguns minutos de reflexão para analisar, à sua volta, onde a mediocridade está presente. Para te ajudar nessa tarefa, vou te deixar escutando uma música que você vai entender o motivo dela estar aqui depois.



Essa belíssima composição é de autoria do magnífico Wolfgang Amadeus Mozart. Este genial compositor clássico, foi um menino prodígio que, aos cinco anos, já encantava plateias que adoravam ver um menino ser explorado por um pai em busca de algo que não tivera: prestígio e reconhecimento.

Sendo assim, quero reforçar meus argumentos anteriores com histórias ficcionais, que nos ajudam, em virtude de toda uma preparação dramática e artística, a entender melhor o mundo a nossa volta. Em 1984, Milos Forman filma Amadeus, uma peça de ficção com elementos da vida do próprio Mozart. Entre esses elementos, está a sua relação com Antonio Salieri, compositor da corte do Imperador José II. Que vê o talento, a criatividade e a irreverência de Mozart ganhar cada vez mais destaque sobre a sua figura. 

Na passagem, da ficção, temos uma prova de como um personagem/pessoa medíocre se sente quando está diante de alguém realmente livre e criativo:


 Esse é só o primeiro exemplo. Muito existem e muitos virão no desenrolar dessa ideia que aqui escrevo. Mas o primeiro ponto que quero abordar está justamente no fato de que Salieri não era um mal músico, era competente, funcionário público, satisfeito, acredita que Deus o abençoou com o dom da música. Levar uma vida segura não é um problema. O problema está quando ele é confrontado com alguém que pode elevar essa vida a outros patamares. Como Mozart o faz no filme. E até fez um pouco em vida real. O problema é não conseguir entender que pardais, pombas e bem-te-vis voam, assim como águias, condores e gaivotas. Todos são pássaros. Todos voam. Mas nem todo voo é igual. Medíocres não conseguem entender isso. Olham outros pássaros voando mais alto que eles e pensam em como a vida é injusta, por nem todos voarem da mesma forma. E quando medíocres possuem alguma forma de poder, procuram fazer com que águias e condores voem na altura que lhes convém. 

Este texto continua...

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Pod Cast Barulho do Daesse 23/09

Após um bom tempo e um longo e tenebroso inverno, cá estamos nós fazendo um podcast!

Acho que agora encontrei uma forma definitiva de fazer esse troço! Menos chata para mim e menos penosa para quem já estava acostumado a ouvir os antigos programas!

Dessa vez eu vou falar mais e enrolar menos. E vamos discutir temas relevantes para mim. Se você quiser mandar uma sugestão para mim, sobre outros temas ou pautas para discussão é só mandar e-mail para barulhododaesse@gmail.com.

Inté!


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O Absurdo e seu “Local de Fala”


Confesso a vocês que, não sei em quantos outros textos esse tema irá se desmembrar. Mas o fato é que, por causa das pesquisas que fui fazer para escrever tão somente esse “textículo”, me deparei com tanta coisa, que vai ser irresistível não escrever mais.

Pois bem, vamos pelo início. Segundo o Dicionário Online de Português, Absurdo quer dizer “Contrário à razão, ao senso comum: intenções absurdas. Que fala ou age de maneira irracional; estúpido, disparatado, tolo.”. Na minha modesta opinião, em concordância com o que afirma Zigmunt Bauman, “As relações humanas não são mais espaços de certeza, tranquilidade e conforto espiritual. Em vez disso, transformaram-se numa fonte prolífica de ansiedade. Em lugar de oferecerem o ambicionado repouso, prometem uma ansiedade perpétua e uma vida em estado de alerta. Os sinais de aflição nunca vão parar de piscar, os toques de alarme nunca vão parar de soar.”. Dito isto, explico-lhes como a ideia deste texto começou.

Na semana passada, caí na besteira de fazer um comentário numa determinada postagem de uma página de "humor no Facebook. a postagem é essa da imagem abaixo.



Entrei no link para ver do que se tratava. Veja aqui.

Depois de assistir ao tal do trailer, escrevi um comentário e o que se seguiu, foi algo que jamais havia acontecido comigo:


Jamais imaginei que uma coisa dessas viraria um troço de agressão. Com nêgo falando que eu não era nada por causa da minha foto de perfil (!!!???). E foi por causa desse evento – e de outros que pretendo relatar em próximos posts – que me dei conta de uma série de coisas sobre a internet e, principalmente, sobre o Facebook.

Não desejo para ninguém ser alvo de ataques virtuais. Do mais simples como foi o meu caso, àqueles que causam o suicídio de alguém, como uma injúria, como um vídeo de intimidade sexual, etc. Eu pirava a cada nova notificação de resposta ao que escrevi. Não que estivesse me incomodando, mas eu não acreditava em como as pessoas estavam nervosas e incomodadas pelo fato de alguém ter contrariado aquilo que elas sentiam. Pode-se dizer um monte de coisas sobre as pessoas na internet, mas eu já entendi que cada pessoa atrás de um monitor e um teclado, ou smarphone, está como uma faca nos dentes, uma pistola carregada e uma raiva gigantesca apontada para qualquer um que contrariá-la no que quer que seja.

Dito isso, elaborei o titulo dessa postagem e acabei me apropriando de um conceito formulado por Michel Foucault e que se tornou queridinho pelas militâncias sociais que atuam na internet, em especial no Facebook: O chamado “Local de Fala”. Me deparei com coisas que não imaginava ler, como isso aqui. Teve gente que tentava colocar as coisas de forma didática como essa aqui. E ainda tem aqueles que se esforçam por tentar deixar as coisas no campo teórico. No fim, a que conclusão cheguei afinal?

Com toda a sinceridade? Nenhuma. Na verdade, descobri que eu sou uma besta e que minha vida, tal como a vivo agora, não dá conta de abarcar a balbúrdia em que vivemos. Você pode até me chamar de simplista ou de alienado (no real sentido da palavra), mas o fato é de que eu tive que me sentar e tentar entender qual seria minha posição diante disso tudo.

Entendam: eu sou professor, sou historiador, tenho obrigação de entender o presente para poder contar às gerações futuras o que se passou por aqui. No entanto, vivendo uma vida afastada de grandes centros urbanos, meu maior contato com a realidade das pessoas é quando estou auxiliando um aluno na minha sala de atendimento, ou quando vejo as coisas que as pessoas fazem na internet. E todos sabemos que a vida real não é essa da internet! Mas as pessoas insistem em viver sua vida ali, em meio às fotos de belezas estonteantes do Instagram, às maravilhas culinárias que são postadas em fotos antes mesmo de serem comidas, aos vídeos de gente falando de tudo e de todos no Youtube. Para a imensa maioria das pessoas a vida virtual é mais importante e se sobrepõe à própria vida real. Vejo as pessoas assumirem uma persona virtual e se esforçarem ao máximo para que essa persona seja real na vida cotidiana.

Na minha opinião, a vida que se expõe na internet é um absurdo. E tal absurdo pode e deve se manifestar nas redes sociais, pois é lá o seu local de fala. E só pode se manifestar quem tem uma vida absurda, quem não tem, deve sujeitar-se ao que os outros têm para falar. Afinal, você não sabe o que é ser absurdo, muito menos viver uma vida absurda.


(Continua...)